Balada da estrela e outros poemas

por:

Escrito por: Gabriela Mistral

Ilustrado por: Leonor Pérez

Organizado e traduzido por: Leo Cunha

Imagine ser convidada a ilustrar a obra de uma poeta que você admira muito. E imagine então se essa escritora é apreciada por toda a sua família, e que a sua mãe, inclusive, foi batizada em homenagem a ela. Foi isso o que aconteceu com a ilustradora chilena Leonor Pérez, que logo se empolgou ao ser chamada para criar as ilustrações de Balada da estrela e outros poemas, nova edição brasileira da obra da chilena Gabriela Mistral.

Era um trabalho tão pessoal e próximo de sua infância (Mistral é celebrada no país, seus poemas cantados nas cantigas e nas brincadeiras das crianças) que decidiu investigar seus próprios álbuns de família, resgatando retratos familiares, rostos próximos e distantes, de pessoas de verdade que compõem essa atmosfera rural da memória afetiva da ilustradora.

E é esse universo que conseguimos captar a cada virar de página, a cada expressão e a cada vazio que acompanha o texto, nesta bela edição da Edições Olho de Vidro. A organização e a tradução são de Leo Cunha, que já traduziu textos de autores como Julio Cortázar e Robert Louis Stevenson e que também é escritor premiado, criador de Um dia, um rio, já enviado aos assinantes da Taba.  


Além do cuidado com Balada da estrela e outros poemas, do texto ao projeto editorial, há também a importância histórica dessa obra para a literatura publicada no Brasil. Não tínhamos uma edição dessa poeta, em português, há muitos anos. Ela nunca havia sido publicada por aqui com uma roupagem como essa, trazendo um cuidado especial ao público infantil. Esse vazio editorial acontecia apesar da sua trajetória: foi a primeira pessoa latino-americana a ser contemplada com a mais conhecida premiação literária do mundo, o Nobel de Literatura.

Mas o legado de Mistral não se resume ao prêmio. Sua relevância se inicia bem antes, quando ela tinha apenas 15 anos e já trabalhava como professora de Vicuña, sua cidade natal, localizada na zona rural, ao norte do país. Já mostrava preocupação com as crianças. Foi uma grande pensadora da educação, com foco sempre no desenvolvimento e na proteção infantil. Ajudou a desenvolver os sistemas educacionais do Chile e do México. Seu trabalho foi reconhecido por universidades de todo o mundo, onde foi convidada a dar cursos, palestras e a participar de conferências. Chegou, inclusive, a viver no Brasil, em Petrópolis (RJ). Foi quando estava por aqui que recebeu a notícia da tão importante premiação. 

Além de tudo isso, foi consulesa, o que proporcionou a ela diversas viagens para países como Itália, Portugal, Espanha, onde trabalhou. Mas nunca abandonou o seu ponto de origem, a localidade rural de Vicuña, que canta em seus poemas e que até hoje são conhecidos pelas crianças chilenas. Um privilégio das meninas e dos meninos brasileiros de também terem contato com essa autora tão importante para a América Latina e para a educação, que viajou o mundo sem esquecer, nunca, das crianças. Que transbordou em seus poemas essa infância rural, infância esta que povoou sua vida até o dia de sua morte, aos 67 anos, em 1957, na cidade de Nova York.

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Tartaruga Nara

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