Vale ler livros digitais?

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Que ler é importante em qualquer fase da vida, não há dúvidas. Hoje, no mundo digital, lemos muito. É fato. Nós consumimos em média 34 GB por dia, o que corresponde a mais de 100 mil palavras (quase o conteúdo total da Bíblia lido ao longo de uma semana). Pesquisas recentes mostram que cada usuário passa 100 dias conectados à internet. Diante de todos esses dados consumidos, vale ler livros digitais?

Somos bombardeados com informação e conteúdo por todos os lados, mas essa leitura digital é fragmentada. Quantas vezes não temos de salvar aquele texto que, de fato nos interessa, para ler mais tarde, dadas as vezes que somos interrompidos?

Imagine que estudantes universitários olham os seus celulares cerca de 190 vezes por dia, ou 27 vezes por hora? Essa leitura digital é rápida e fragmentada, trazendo consequências para a nossa concentração.

Quem consegue aquietar a mente com tanta informação?

Nossas crianças já nasceram no mundo digital. Não vamos nem precisamos privá-las desse contato, mas é possível proporcionar a elas também a um outro tipo de leitura – mais profunda, lenta e afetuosa. Uma leitura apreciativa.

A leitura literária, com livros impressos, pode trazer diversos benefícios para os pequenos:

  • Trabalha a psique e, portanto, a saúde emocional, o que os ajuda a lidar com sentimentos e emoções;
  • Fornece vocabulário para organizar pensamentos, nomear sentimentos e entender quem são e o que querem;
  • Proporciona não só uma maior prontidão para o processo de alfabetização, mas também o que é necessário para ter uma mente mais flexível, aberta à imaginação e à criatividade, fatores fundamentais para a resolução de problemas;
  • Possibilita uma melhor saúde e menor propensão a distúrbios de comportamento, como déficit de atenção e ansiedade;
  • O virar das páginas em um livro impresso permite à criança absorver diversos conceitos como sequência narrativa, continuidade, a espera pelo que vem a seguir (no livro e na vida), silêncio, pausa;
  • Garante ferramentas para a construção da empatia, já que o contato com as histórias permite conhecer diferentes realidades e possibilidades para viver, pensar e sentir. 

Tudo isso cabe dentro de um livro impresso, assim como sua materialidade. Qual a sensação de passar a mão pela capa? E o formato, o que acrescenta à narrativa? O papel é suave, denso, brilhante? Rasgou? De tanto ser manuseado, por distração ou em um momento de raiva? Fita adesiva e paciência resolvem, de preferência com a ajuda das crianças para entenderem também que remendar faz parte (dos livros e da vida). Esses detalhes, que acabam se perdendo nas versões digitais, também fazem parte dessa história que cada um dos livros nos traz.

Os tablets, celulares e computadores estão e estarão presentes nas vidas de todos nós. Não deixemos passar a oportunidade de oferecer às crianças os livros impressos, a alegria e a expectativa do que porvir, que acontece quando viramos a página, nos levando a muitos lugares, sem precisar sair do sofá.

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Tartaruga Nara

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