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O tecido dos contos maravilhosos – Material do professor

O tecido dos contos maravilhosos – Material do professor

A contadora de histórias Tanya Robyn Batt reuniu sete contos de lugares distintos que dão grande importância ao saber tecer, fiar e costurar.


O tecido dos contos maravilhosos: material do professor

Autor: Tanya Robyn Batt

Editora: WMF Martins Fontes

A contadora de histórias Tanya Robyn Batt reuniu sete contos de lugares distintos que dão grande importância ao saber tecer, fiar e costurar.

Em cada um deles, os tecidos – usados para a confecção de tapetes ou vestuário – são fundamentais para o desenrolar das tramas: a permissão dos casamentos, a libertação de um rei ou o restabelecimento da saúde de uma artesã.

Na página de abertura, que antecede cada história, Tanya nos conta, por exemplo, como os povos trabalham os nós dos tapetes, as fibras de tecidos como a seda, o linho e o batique e os seus significados sociais.

As ilustrações de Rachel Griffin encantam desde as bordas de todas as páginas preenchidas com pequenos tecidos enfeitados com botões, contas, pingentes e selos até os tapetes multicoloridos, adornados com diversos materiais – que apresentam os protagonistas e desenham os momentos principais dos contos.

A proposta – Leitura compartilhada e conversa apreciativa sobre o livro “O tecido dos contos maravilhosos”

Habilidades da BNCC 

(EF15LP15) Reconhecer que os textos literários fazem parte do mundo do imaginário e apresentam uma dimensão lúdica, de encantamento, valorizando-os, em sua diversidade cultural, como patrimônio artístico da humanidade.

(EF15LP18) Relacionar texto com ilustrações e outros recursos gráficos.

(EF01LP26) Identificar elementos de uma narrativa lida ou escutada, incluindo personagens, enredo, tempo e espaço.

Objetivos desta proposta

Espera-se que os estudantes possam:

  • Apreciar a história observando a relação dos tecidos com as culturas representadas na obra;
  • Conhecer a história dos tecidos e fazer relações com a narrativa criada a partir deles, estabelecendo relações sobre esse uso e a cultura local.
  • Comentar suas impressões pessoais e ouvir os colegas para comparar interpretações;
  • Apreciar as ilustrações feitas,  analisar a técnica utilizada e sua relação com o conteúdo temático da obra, para comentar os efeitos de sentido que causaram. 

Lendo com seus alunos o livro “O tecido dos contos maravilhosos”:

Iniciar a leitura explorando a relação entre os tecidos e as histórias pode ser uma boa porta de entrada para a apreciação das histórias. Instigue os estudantes a pensarem: o que significa tecido dos contos maravilhosos? Os tecidos farão parte das narrativas? Que relação podem estabelecer entre eles? Os estudantes podem considerar os tecidos como personagens das histórias, mas há também outros sentidos possíveis, dentre eles o tecido como a trama, como parte da urdidura textual, com certeza, uma compreensão mais complexa para os estudantes, mas não impossível.  Ler a quarta capa ou trazer para esse momento algumas informações da introdução poderá agregar elementos para que compreendam melhor essas relações. Destaque, por exemplo, o segundo parágrafo da introdução: “Contar histórias e fazer tecido são atividades humanas fundamentais, pois ambas exprimem o desejo de unir o comum ao fabuloso”.  A partir disso, comentem o quanto a arte de contar histórias estão presentes desde as sociedades mais primitivas, era um jeito que os povos encontraram para explicar os fenômenos do mundo e para guardar memória de sua cultura. O mesmo podemos dizer dos tecidos, desde os mais simples até os mais sofisticados, os tecidos são fundamentais para a sobrevivência. 

Depois dessa exploração inicial, comente com os estudantes que o livro contém sete histórias, mostre o sumário para eles e ajude-os a compreenderem sua função. Além disso, vale apreciá-lo pela forma como foi ilustrado, cada quadrinho faz referência a algum elemento das histórias. Como são contos que representam diferentes culturas, pode ser muito interessante procurar no mapa os lugares em que os países se encontram.  Pedir aos estudantes comentarem o que sabem sobre esses lugares, levantando os conhecimentos prévios a respeito das culturas de cada país. 

Combinem uma agenda de leitura que pode seguir a ordem do sumário ou do interesse do grupo. Fazer uma exploração de todo o livro, deixando que apreciem as ilustrações, que são verdadeiras obras de arte, pode ser um encaminhamento potente. Isso pode ser feito em pequenos grupos e cada um socializa depois, com o restante da turma, uma imagem que achou mais bonita, colorida, com vários recursos, enfim, a que mais gostaram. 

Para os momentos de leitura, você pode optar por ler primeiro a informação sobre o tecido, que antecede cada história, ou fazer isso depois da leitura do conto. Sobre isso, é importante promover uma conversa que relacione a história do tecido e a história dos personagens que utilizam aquele tecido. Como os tecidos aparecem no conto? Eles têm algum efeito especial? São mágicos? 

Para cada conto lido, sugerimos uma conversa apreciativa, um momento dedicado aos estudantes comentarem o que compreenderam da narrativa. Além disso, é importante voltar a passagens que ajudam a uma melhor compreensão e até mesmo para partes bem escritas, chamando atenção para o uso da linguagem escrita.  Isso pode acontecer, por exemplo, no versinho que consta no conto “O casaco de retalhos” 

“Sou um tonto, um pateta,

Sou velho e imprudente.

Sou um tonto, um pateta

Minha boca não mente.”

As rimas, as palavras escolhidas geram uma musicalidade, pede uma leitura ritmada, assim como os demais versinhos ao longo da narrativa. 

Em “A benção do crocodilo”, apreciar a bela história da jovem Damura que lavava as roupas da madrasta no rio e por ajudar um crocodilo recebeu uma benção: enquanto falava moedas de ouro saiam de sua boca. No entanto, não foi o que aconteceu com a filha da madrasta, que ao não ajudar o crocodilo recebeu como maldição pedras quando falasse. A narrativa é linda e uma possibilidade de ampliar a conversa em torno dela é focar na intertextualidade, ou seja, em quais outras histórias podem ser relacionadas. Cinderela é a mais conhecida e podem discutir a relação entre Damura e a madrasta com sua filha. Além disso, em As fadas, de Charles Perrault, também apresenta duas personagens que vão até uma fonte e uma por ajudar uma velhinha e a outra por não ajudar recebem bênçãos como as que o crocodilo proferiu. Se forem textos conhecidos pelos estudantes, vale a pena fazer tais relações, pois espera-se de um leitor competente tais comportamentos. 

Na leitura do conto “A capa de plumas” não deixe de chamar atenção para a ilustração que fica na página 48. Peça aos estudantes distinguirem os materiais utilizados para ilustração. É possível notar as plumas nas cores vermelha e amarela, as palhas na saia, as conchas, os tecidos, os pontos nos braços da mulher. Dê espaço, nesse momento, para as crianças comentarem suas impressões, o que sentiram, se gostaram, o que mais chamou a atenção. Volte para passagens da história e pergunte como relacionam com a imagem, o último parágrafo pode ser uma referência para isso. 

Depois de ler todos os contos, não deixe de fazer uma conversa final sobre as impressões gerais do livro:

– Qual conto mais gostaram e por que fizeram tal escolha?

– Tem algum tecido que você ficou com vontade de tocar? Qual deles?

– Sabemos que cada conto representa uma cultura diferente, o que gostou de saber? E o que ficou com vontade de conhecer mais?

– Você indicaria esse livro para algum colega? O que destacaria da obra?

Um espaço genuíno de conversa é o que se espera nesse momento, por isso é importante dar vez e voz para todos. 

Um desdobramento possível

Os livros selecionados para este mês tiveram como grande propósito oferecer ao leitor a oportunidade conhecer diferentes culturas. Uma possibilidade de trabalho que complemente a história pode ser de investigar para saber mais sobre alguns aspectos tratados na obra, dentre eles: os tecidos abordados ou outros típicos dos países representados ou no nosso; o processo atual e antigo de produção dos tecidos, a cultura desses povos a partir do vestuário, dentre outros que interessam os estudantes. 

Esse estudo pode resultar em um painel da turma para compartilhar com a comunidade escolar o que descobriram. Como outros anos escolares também estão lendo livros que abordam distintas culturas, o resultado das pesquisas pode configurar uma verdadeira mostra dos trabalhos. 

Indicadores de avaliação

Ao longo do ano, os estudantes puderam ter contato com muitas e variadas histórias. Por isso, esse momento é privilegiado para avaliar o percurso leitor tanto do ponto de vista do ensino quanto da aprendizagem. 

Sugerimos que proponha uma autoavaliação para que os estudantes possam tecer comentários dos livros que mais gostaram, dos personagens preferidos, do gênero ou do estilo de um autor que gostariam de ler mais.  Essas conversas sobre o lido, a partir das preferências leitoras, contribui para que cada um tome consciência do percurso trilhado, retomando as experiências que tiveram para compará-las e pensarem em como dar continuidade. 

Além disso, vale uma retomada nos indicadores sugeridos ao longo das leituras para observar o avanço de cada estudante em relação aos comportamentos do leitor. Os indicadores são:

– Antecipam e formulam hipóteses sobre a leitura a partir de diferentes informações (ilustrações, paratextos, etc)?

– Participam das conversas expressando os efeitos que a leitura lhes produziu, a partir de uma resposta estética e pessoal?

– Comentam e selecionam trechos ou episódios de seu interesse e fundamentam suas preferências?

– Ouvem a opinião dos colegas e opinam sobre o que ouviram?

– Solicitam ao professor a releitura de passagens do texto com algum propósito específico?

Neste final de ano, vale observar se houve ou não mudanças em relação as leituras já feitas, para analisar os progressos do desenvolvimento dos comportamentos leitores de cada estudante e poder assim compartilhar sua análise em relação a isso, fazendo com que comparem com a própria autoavaliação.