Volta às aulas: como recomeçar?

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Chega fevereiro e, com o mês, o início de ano letivo em muitas escolas. Mas este ano é diferente: diante a uma pandemia de proporções inimagináveis aos alunos e professores em março do ano passado, quando os espaços educativos tiveram de ser fechadas e as aulas foram mantidas à distância, é tempo de voltar os olhares às práticas educativas. O que aprendemos nesse ano desafiador? O que levamos para 2021? Como recomeçar?

Com o propósito de lançar luz a essas questões, a psicóloga Zilma Ramos de Oliveira, livre-docente em Psicologia pela USP, pesquisadora do Instituto Superior de Educação Vera Cruz e assessora junto ao MEC da BNCCEI, organizou a coleção A educação infantil e a pandemia, publicada pela editora Biruta, na qual é autora de Quando o retorno é um novo começo. Na série de livros, diversas formadoras de educadores infantis colaboram para pensar esse modo de educação infantil possível no momento, seus novos e antigos dilemas.

Com o fechamento dos prédios escolares, houve uma necessidade de aproximação com as famílias. “Estamos sendo obrigados a nos reinventar nas atividades mais interativas, diminuir o número de atividades centradas no professor”, conta Zilma, que dá o exemplo atividades como cópias, desenhos padronizados, atividades pré-estabelecidas, “em que todas as crianças falam de forma parecida”.

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Se o prédio escolar, espaço que antes servia como uma espécie de refúgio a crianças com problemas familiares, como casos de violência ou até um divórcio, fechou, é preciso mais do que nunca estar atento às famílias e, de forma não-autoritária, orientá-las para modos mais sensíveis, delicados e lúdicos de estar com as crianças. O que Zilma observou foi uma inversão do espaço escolar nesse sentido: “deixamos de assegurar uma complementação de um espaço de desenvolvimento para acompanhar outros espaços de desenvolvimento na família.”

Como agir na volta às aulas?

“Acho a narrativa a coisa mais importante”, afirma a psicóloga. “A educação vai sofrer muito com a pandemia. Mas, se existisse uma forma séria de assegurar que a educação não sofresse tanto, teria de ser posto o seguinte: cada cesta básica acompanha um livro para um familiar ler todos os dias com a criança.” É a literatura como alimento mais potente para a criança, deixar que ela releia aquela história sozinha, que a reconte aos seus ursinhos e bonecas. É falar com as crianças, promover rodas de conversa, garantir que elas se relacionem com a imaginação, o vocabulário e os argumentos.

Ainda no campo da imaginação e da narrativa, Zilma sugere incentivar que a criança brinque de faz-de-conta. O ideal é que o adulto não crie uma brincadeira pronta para o pequeno, mas que ofereça objetos e cantos, cantigas, parlendas, para que ela se envolva na brincadeira, que elogie quando ela estiver brincando de casinha ou de hospital.

Os professores ainda podem aproveitar para repensar suas práticas, que já estavam em revisão com a implementação da nova Base Nacional Comum Curricular, documento de norteia a educação brasileira. Na nova BNCC da Educação Infantil, que estava sendo implementada quando as escolas foram atingidas pela pandemia, já havia uma fuga da perspectiva disciplinar do currículo escolar no país. Em vez disso, o documento prevê que as atividades escolares devem ser pensadas por campos de experiências, que os educadores poderiam explorar de diversas formas. Fica a provocação para recomeçar com novas ideias e propostas.

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