Qual nosso olhar para “lá fora”?

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Das provocações e reflexões que o documentário O Começo da Vida 2: Lá Fora, do Instituto Alana, traz, uma fica mais evidente agora: o confinamento das nossas crianças começou com a pandemia? Ou aquelas que vivem nas grandes cidades estão confinadas numa rotina casa-escola-casa por toda a infância?

Entre paredes, poluição e asfalto os anos passam e as crianças crescem, sem saber o que é ralar o joelho em uma brincadeira de rua. Experimentar o contato com a natureza fica relegado à passeios aos finais de semana ou férias, quando isso é possível.

Mas, depois de praticamente um ano em casa por motivos que fogem ao nosso controle, começamos a perceber que a árvore vista pela janela passou de galhos secos à copa frondosa. Nesta mesma janela, em determinadas horas do dia há um solitário passarinho que aparece e desvia nossa atenção da rotina, muitas vezes imersa em telas.

Antes da chuva que cai à tardinha, sopra um vento diferente e as primeiras gotas que pingam no chão fazem exalar um cheiro que para muitos adultos é memória afetiva. E será que não constituirá as memórias das nossas crianças também?

O documentário nos convida a enxergar a natureza que existe ao nosso redor, repensar a relação com a natureza que proporcionamos as nossas crianças e o impacto disso para o futuro.

Não precisa ir muito longe para sentir o cheiro da chuva, desbravar a floresta que pode ser a pracinha ao lado de casa ou observar o formato das nuvens. Ao brincar a criança aprende o que há de vivo dentro das coisas e a conexão com a natureza acontece. Como disse uma das crianças entrevistadas, nós viemos da terra, não a terra veio de nós.

Em dezembro tive a oportunidade de escapar para o meio do mato com minha família. A sensação de olhar para o horizonte sem o enquadramento de uma janela com tela de proteção e fios da rede elétrica depois de tanto tempo foi indescritível. O horizonte estava ali, imenso, bonito, colorido e nós a contemplar.

Documentário O Começo da Vida 2 - Lá Fora

Naquele instante eu pude experimentar a conexão de que o documentário fala. Muito provavelmente, já tivesse sentido, mas desta vez foi de forma consciente. Posso dizer que me senti parte da natureza, assim como vi minha filha em conexão também.

Fiquei com a sensação de que passou da hora de rever a nossa relação com a natureza, estreitar laços e experimentar tudo de bom que essa conexão pode promover. Dos benefícios à saúde do corpo e da mente.

Sim, mas vivendo na selva de pedra – e ainda em isolamento – como começar? Na página do documentário você encontra uma série de dicas para explorar a natureza que está ao redor.

A natureza (ou sua ausência) se revela em muitos âmbitos da nossa vida: saúde, educação, desenvolvimento social e econômico. É dessas nuances e relações que trata a série de mini documentários que o Instituto Alana lança agora, de forma a expandir o diálogo sobre O Começo da Vida 2 – Lá Fora.

Nessa playlist você confere – de forma exclusiva – os documentários:

Todas as imagens deste post são cenas do documentário O Começo da Vida 2 – Lá Fora.

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Tartaruga Nara

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