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Por trás da identidade visual da Taba: a arte de Nara Isoda

Conheça Nara Isoda – responsável pelos lindos desenhos do site e que também acompanham os pacotes do Clube de Leitores A Taba.

A menina que já desenhava antes de aprender a falar cresceu em uma casa cheia de inspirações: com mãe artista plástica e pai arquiteto, Nara Mitiru de Tani e Isoda vivia rodeada de literatura, que ia dos livros ilustrados japoneses até os quadrinhos. 

A artista, com nome “comprido como um trem”, cresceu e passou a ilustrar, após um breve período estudando Terapia Ocupacional. Entre suas referências, não por acaso, estão os pacientes do hospital psiquiátrico de Engenho de Dentro, quem a psiquiatra brasileira Nise da Silveira tratou com seu método inovador. A lista de referências prolonga-se por desenhos de crianças e de tantos outros artistas com quem manteve contato.

É dessas fontes, de elementos da natureza, de seus processos principalmente artesanais, que incluem uma mistura de diferentes técnicas, cores, formas e texturas, que a artista de 35 anos formulou a identidade visual do Clube de Leitores A Taba, inspirada na fauna brasileira. 

Arte para adesivo criado por Nara Isoda para Clube de Leitores A Taba

Seus animais favoritos tornaram-se os personagens conhecidos dos pacotes que vão às casas dos assinantes, dos adesivos e do site, como é o caso da capivara e da preguiça “estampados” com motivos indígenas, do povo Marajoara. 

Para elaborar cada animal com sua respectiva estampa, uma pesquisa inicial era feita na internet, que mais tarde se transformava em croquis e rascunhos com lápis grafite. Nara Isoda então redesenhava as formas em um papel vegetal, que era sobreposto a uma área com a cor desejada e depois escaneado. 

Foi uma busca por “leveza e dinamismo”, por “manter (ou ao menos evocar) essas qualidades preservando a beleza da identidade da Taba”, ela conta, ao lembrar também de outros desafios do processo, como elaborar a paleta de cores que é usada hoje e o Mapa de Exploração que acompanha o kit. O gosto por desenhar mapas e animais foi importante nesse percurso, assim como o contentamento em ajudar a difundir a literatura pelas casas brasileiras.

Confira a conversa com a artista Nara Isoda e imagens de seu processo criativo.


Qual o seu nome, idade e local de nascimento?

Meu nome é comprido, parece um trem: Nara Mitiru de Tani e Isoda. Tenho 35 anos e nasci no interior de São Paulo, em Mogi das Cruzes.

Quando você começou a despertar seu interesse para a ilustração, para a imagem?

Imagino que o interesse foi sendo despertado na infância, desde tempos imemoriais… Minha mãe se formou artista plástica e meu pai arquiteto e depois tradutor (japonês-português), então sempre tivemos muitos materiais em casa e espaços abertos para a criação. Criação não só de imagens, mas de linguagens artísticas diversas. Ele conta que eu e meus irmãos aprendemos a desenhar antes de falar. 

Dentre os materiais, haviam muitos livros de literatura e de assuntos, livros ilustrados infantojuvenis, quadrinhos. Tive acesso a livros ilustrados japoneses também. Passei a infância e adolescência desenhando juntos de meus irmãos. A possibilidade de ser ilustradora veio bem mais tarde, depois da minha primeira formação em Terapia Ocupacional. Fui fazer vários cursos de ilustração e comecei a ilustrar mais ou menos nesta época, enquanto cursava uma segunda graduação em Artes Plásticas. Nesses cursos e na faculdade conheci muitas pessoas e pude pensar mais profundamente a ilustração, a narrativa e o livro. 

Quais são seus ilustradores, suas referências, aqueles que você considera seus favoritos?

Puxa, difícil dizer. Muitos artistas são/foram referências realmente importantes e ficará faltando nomes. Mas vou citar alguns nos quais me inspiro com bastante frequência: os desenhos das crianças em geral, Lúcia Hiratsuka, Renato Moriconi, Sandra Jávera, Ana Matsusaki, Catarina Bessell, Odilon Moraes, Laura Teixeira, Lívia Serri Francoio, Planeta Tangerina, Kosuke Ajiro, Jesus Cisneros, Charlotte Ager (estes três últimos eu conheci só mais recentemente, pelas redes sociais). E também Louise Bourgeois, Leonilson, Cy Twombly, Matisse, Basquiat, os artistas-pacientes do hospital psiquiátrico de Engenho de Dentro com quem Nise da Silveira trabalhou, os artistas do Coletivo Preguiça, colegas de convivência e criação, cujas criações me inspiram muito.

De onde você tira inspiração para fazer as suas criações?

Dos encontros. Com o outro, com a natureza.

Que tipo de técnica que você gosta de usar mais no seu trabalho?

Prefiro as técnicas artesanais às digitais. Gosto de misturar desenho, pintura e colagem. As composições variam entre o uso de grafite / lápis de cor / guache / colagem / papéis diversos. Tenho um acervo de papéis variados que vou juntando há anos, disponíveis para os recortes. Acho que a pesquisa atualmente tem transitado pela exploração das cores, formas, linhas, sobreposições, camadas e a mistura das linhas com as áreas de cor, muitas vezes chapadas e sintéticas. Às vezes finalizo alguma imagem digitalmente, no computador, aplicando alguma cor de fundo ou fazendo outro acabamento, mas não gosto muito dessas etapas do escaneamento em diante. 

Além destes trabalhos de ilustração e colagem, tenho feito pinturas sobre tecido algodão cru, criado um livro de sonhos (guache sobre papel/caderno/livro) e pesquisado alguns objetos em cerâmica e outros materiais.

Estante-instante, colagem sobre papel, 2018 (21x29cm)
Série milagres, colagem s/ papel, 2020 (48x48cm).
Paninho, guache s/ algodão cru, 2018

Como foi para você desenhar a nova identidade visual da Taba?

Adorava a identidade anterior que, para mim, transmitia muita leveza e dinamismo, por isso tem sido um desafio manter (ou ao menos evocar) essas qualidades preservando a beleza da identidade da Taba. Ao mesmo tempo, essa oportunidade me trouxe alegria, pois amo desenhar mapas e animais e trabalhar para a difusão da literatura e formação de leitores.

Os animais da fauna brasileira “estampados” com motivos indígenas (a partir de referências de desenhos Marajoara) foi um dos principais assuntos pesquisados, mas também houve um processo de definir uma paleta de cores própria, o que foi sendo definido pelo próprio projeto. 

Usei diversas fotos e referências de ilustrações encontradas na internet, que utilizo para desenhar. Primeiro encontro essas imagens; depois faço esboços/croquis a lápis, até encontrar a melhor posição, forma e expressão. Então redesenho-o em papel vegetal e recorto uma área de cor que será usada junto do contorno a grafite (estas serão agrupadas posteriormente no Photoshop).

Escaneio e finalizo com essa junção da colagem/área de cor e desenho, às vezes modificando cores e formas nessa última etapa. Alguns desenhos que são só a linha/contorno também primeiramente faço a mão para depois passar um traço digital por cima. Ah, não poderia deixar de contar que gosto muito de bichos, especialmente capivaras e preguiças, por isso há várias delas nos materiais da Taba.

Croquis criados por Nara Isoda para Clube de Leitores A Taba
Esboços e croquis a lápis
Postal criado por Nara Isoda para Clube de Leitores A Taba
Áreas coloridas
Ilustração criada por Nara Isoda para Clube de Leitores A Taba
Postal criado por Nara Isoda para Clube de Leitores A Taba
Áreas coloridas com a sobreposição do papel vegetal
Postal finalizado

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Autor Ataba

Luísa Cortés Apaixonada por histórias desde criança, não deu outra: foi estudar Letras e Jornalismo para contar as suas próprias. Hoje, edita o blog da Taba, numa missão de contaminar cada vez mais pessoas com o vírus da leitura.

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