Um pouquinho de história com clube de assinatura de livro infantil

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Um pouquinho de história com clube de assinatura de livro infantil

Você já reparou o tanto de mudança que vivemos? O leite já foi vendido em garrafa, depois em saquinho e agora em tetrapak. E o banco? Antes eram filas imensas, hoje há agências com cadeiras para atender com conforto e a maior parte das transações pode ser feita online.

Lembra das filas nos telefones públicos, os antigos ‘orelhões’? Hoje em dia é até difícil encontrar algum pelas cidades…

O desenvolvimento de ideias e de tecnologias vai nos apresentando outros modos de fazer e, quase sem perceber, adotamos novas rotinas, novos hábitos na expectativa de facilitar nossas atividades. Entretanto, novidades do passado foram tão eficazes que continuam vigorando até hoje. 

O sistema de assinaturas para materiais impressos é um ótimo exemplo de algo criado no passado, mas que continua ativo, facilitando a vida de muita gente.

No Brasil, o sistema existiu desde o Império, garantindo a circulação de ideias e informações pelas Províncias, interessadas nos jornais e revistas da Capital. O uso do modelo de assinatura para livros, entretanto, só apareceu na década de 1940, quando já estava consolidado na Europa e nos Estados Unidos.

Os grupos de leitura possuem uma história longa, começando na Europa no século XVIII, onde os empréstimos e trocas de livros ativavam o burburinho do Iluminismo, valorizando a razão e o conhecimento. 

Formaram-se, então, ‘sociedades de leitura’ e ‘sociedades de livros’ voltadas para a discussão e o empréstimo de obras. 

No século seguinte apareceram os clubes de assinatura de livros, movimentando o mercado editorial da época, mas foi no século XX que eles se multiplicaram, especialmente depois da Primeira Guerra Mundial.

“…o primeiro clube desse tipo em terras brasileiras surgiu em 1941 e foi criado por Mário de Andrade, Cândido Portinari e Aníbal Machado, se estabelecendo como um clube de poesia. No ano seguinte, o clube Sociedade dos Cem Bibliógrafos do Brasil foi fundado, publicando 23 títulos para os seus associados até 1968, quando encerrou suas atividades. Na década de 1940 ainda foram criados os clubes O Livro do Mês e o Círculo Literário. Já entre 1943 foi fundado por Mário Graciotti o Clube do Livro.”

Os primeiros clubes foram pequenos, mas o Clube do Livro (1943/1998) e o Círculo do Livro (1973/1996) levaram a ideia de assinatura de livros para um outro patamar, ajudando a formar muitos leitores brasileiros. 

Mas, como dissemos, tudo vai mudando. O interesse pelos livros continuou, mas o fim desses clubes na década de 1990 dá pista de transformações importantes: houve a criação de novas editoras e livrarias e um aumento na produção de livros.

O país crescia em habitantes e o modelo de um mesmo clube que atendia diferentes públicos se esgotou. A nova realidade social exigiu um conhecimento especializado, uma verdadeira curadoria diante da gama de opções que passou a existir.

Quando surgiram os Clubes de assinatura de livro infantil?

Além da ampliação do mercado do livro, outras situações e demandas apareceram no fim do século XX e início do XXI que deram destaque às crianças e à literatura infantil, em especial. Destacamos duas que acreditamos serem base para o aparecimento e multiplicação dos clubes de assinatura de livros infantis: a legislação e o lugar do Brasil na produção de livros para a infância.

De um lado, lembrar que, além da Constituição de 1988 passar a ter um capítulo dedicado às crianças e adolescentes, em 1990 houve a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente e em 1996 foi editada uma nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Todas elas, ações que deram importância ao universo infantil.

De outro lado, o Brasil foi o país homenageado em 1994 e em 2014 no mais importante evento de literatura infantil do mundo, a Feira do Livro Infantil de Bolonha. É curioso saber que foi justamente nesse intervalo – entre as décadas de 1990 e 2010 – que a produção de obras voltadas especificamente para crianças explodiu no país, surgindo novos escritores, ilustradores e selos editoriais voltados para esse público.

Um último dado: é também nesse período que cresce aceleradamente o mundo digital no país. Através da Internet, os brasileiros ampliaram seu acesso aos acontecimentos e aos produtos.

A Taba: um clube para formar leitores

É dentro dessa dinâmica de valorização da infância e do livro infantil que surge A Taba, lançada em 2014, mesmo ano da homenagem ao Brasil na Feira de Bolonha. O ambiente fértil se uniu ao longo caminho de Denise Guilherme, Mestre em Educação que, envolvida em muitos projetos de leitura Brasil a fora, sonhava multiplicar o acesso a obras de qualidade e formar leitores através de uma curadoria especializada.

O empenho não foi pequeno. Um ano antes de lançar A Taba, sua idealizadora e fundadora reuniu 15 especialistas para construírem juntos critérios de escolha do que seria um bom livro literário. E por quê? Porque antes de qualquer coisa, A Taba foi desenhada para ser um Clube de Leitores: uma reunião de pessoas conversando, trocando impressões de leitura. E com leitores especiais, pois acreditando que o gosto pela leitura pode ser incentivado desde a primeiríssima infância, o Clube voltava-se para as famílias.

Desse primeiro encontro foram semeadas muitas ideias e algumas se concretizaram de forma exclusiva, como a organização de mais de 1000 livros por tipo de leitor, tipo de leitura e tipo de livro, critérios que norteiam a escolha dos livros pela equipe de curadoria.

  • Tipo de leitor: bebê, iniciante, autônomo, experiente e jovem;
  • Tipo de leitura: para ler sozinho e para ler acompanhado;
  • Tipo de livro: livros para rir e se divertir, se emocionar, sentir medo, viajar para mundos fantásticos, conversar sobre assuntos difíceis e pensar sobre a vida.

Além da curadoria, que é referência de qualidade no Brasil, A Taba promove o diálogo através de estratégias exclusivas que instigam o leitor, como o Mapa de Exploração e Rodas de Leitura, onde crianças de todo o Brasil podem conversar sobre os livros recebidos com a mediação de profissionais das mais diversas áreas que fazem parte do exclusivo Programa de Formação de Mediadores de Leitura, lançado em 2022. 

A Taba também apresenta, através de seu blog, mais de 3 mil conteúdos sobre livros e práticas de leitura, voltados à famílias e educadores, e, em seu canal no YouTube, promove entrevistas, palestras, mesas redondas com conteúdos que aproximam e qualificam pais, familiares, professores, psicólogos… enfim, todos que desejarem embarcar nesse mundo do livro infantil e juvenil.Assim como é preciso de uma aldeia para criar uma criança, já diz o provérbio africano, A Taba é uma aldeia para formar leitores.  Cada um dos assinantes do Clube de Leitores A Taba recebe todos os meses na sua casa não apenas livros, mas experiências literárias que farão parte do percurso leitor das crianças e que, desejamos, contribuam para sua formação cidadã e façam parte das memórias felizes da infância.

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Tartaruga Nara

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