Livro-imagem: como ler um livro sem palavras com as crianças?

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Um livro não precisa de palavras para contar uma história. Há muitas obras, conhecidas como “livro-imagem”, que apresentam uma narrativa numa sequência de ilustrações. Muitas histórias sensíveis, poéticas, emocionantes e até divertidas partem dessa linguagem.

Mas há uma grande dificuldade em ler essas obras com as crianças. Afinal, quando não há palavras para ler, com exceção do título, o que falar? Quanto tempo permanecer numa mesma página? Como escolher um bom livro-imagem? São muitas as dúvidas que podem surgir.

Em junho de 2019, A Taba fez um encontro com Odilon Moraes, ilustrador e pesquisador do livro ilustrado, e Luisa Setton, especialista em literatura infantil pela pós-graduação Livros, crianças e jovens: teoria, mediação e crítica do Instituto Vera Cruz, em que realizou a pesquisa Quando a imagem fala.

Nessa conversa, foi discutido, entre outras questões, como fazer essa mediação com as crianças. Abaixo, algumas dicas mencionadas pela Luisa Setton nesse bate-papo que podem te ajudar.

Faça uma leitura inicial sozinho

Essa primeira leitura é muito importante para que você possa reparar em características como o ritmo da narrativa. Algumas páginas pedem que a leitura se demore mais e têm um impacto muito grande na história. Outras podem ser passadas mais rapidamente, para dar mais fluência à narrativa. Ao ler livros desse tipo, ou ler o mesmo livro-imagem várias vezes, você vai ganhando experiência e intimidade com a obra, e vai adquirindo sensibilidade para perceber esse ritmo. A leitura prévia também pode te ajudar a ter mais segurança no momento de mediação de leitura.

O que dizer? Devemos falar para as crianças o que elas devem ver? Ou é melhor esperar que elas falem?

Um bom recurso no momento da leitura é fazer perguntas às crianças. Por exemplo: se a criança percebe que a família está saindo de férias na história (caso de Quando a família sai de férias, livro-imagem publicado pela editora Pulo do Gato), você pode pedir para ela apontar elementos da ilustração que indicam que isso está acontecendo, ou por que ela chegou a essa conclusão. Isso dá autonomia para a criança, que pratica a leitura da imagem sozinha e que pode fazer isso outras vezes sem a mediação de um adulto.

Mas há também a possibilidade do mediador construir junto, colocar a sua percepção daquela imagem. O importante é ter o cuidado de deixar espaço aberto para as interpretações que vierem da criança, não delimitar a leitura ou encaminhar a interpretação sempre para aquilo que o adulto percebeu. A criança pode sempre trazer uma leitura nova.

Qual a diferença em fazer a mediação do livro-imagem entre os muito pequenos, como os bebês que ainda não falam, e os maiores?

Na mediação com os bebês, a voz do mediador aparece mais, tem mais espaço para a “narração em palavras”. É provável que surjam expressões do bebê, pequenas palavras, balbucios, e isso também faz parte da mediação. Esse contato com o livro é “a primeira galeria de arte da criança”, como diz a ilustradora tcheca Kveta Pacovská; é a primeira vez que o bebê vê a representação de um urso, por exemplo. E é a oportunidade dele observar e perceber que há diversas maneiras de representar aquele animal. Ele vai desde aquele momento desenvolvendo o seu olhar para o mundo. 

As crianças mais velhas, por sua vez, conseguem ter uma percepção mais profunda do que está vendo. Há mais espaço para que elas participem com as suas falas e que, juntos, leitor e mediador vão construindo sentidos para aquela narrativa. 

O que caracteriza um bom livro-imagem?

Na hora de escolher um livro-imagem, há algumas questões a se considerar. Em primeiro lugar, você gostou do livro? É fundamental que o adulto aproveite aquela leitura para poder compartilhar esse gosto com a criança.

Também é importante observar se a sequência de imagens é óbvia ou se ela é mais aberta, o que possibilita diferentes interpretações e vozes na narrativa. Para ajudar, A Taba tem um e-book gratuito com 50 sugestões de livros-imagem que consideramos de boa qualidade.

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